domingo, 24 de junho de 2012

CNI faz campanha para pressionar governo

Depois de um ciclo de estagnação, com crescimento de apenas 0,1% em 2011, a produção industrial brasileira iniciou 2012 em retração, com queda contínua das vendas internas e externas, com reflexos na baixa geração de emprego e renda do setor. Por isso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) resolveu fazer uma campanha nacional de esclarecimento da população sobre os gargalos que dificultam a reativação industrial do país. A intenção, de acordo com o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, é chamar a atenção para problemas antigos que asfixiam o setor. A começar pelos altos custos decorrentes da carga tributária, da precária infraestrutura de transportes e logística em geral, bem como dos entraves da legislação trabalhista, entre outros, que colocam as empresas nacionais em “desvantagem diante dos competidores estrangeiros”, segundo ele. Essa é a tônica da campanha que será veiculada durante um mês, em jornais, revistas, televisão e na internet, segundo a gerente de publicidade da CNI, Carla Gonçalves. Ela destacou que a sociedade precisa saber, por exemplo, que a alta carga de impostos é o maior componente na formação de preços, "e tudo isso tem a ver com o cidadão, que é quem, em última análise, paga a conta”. Com o slogan “A Indústria Tem Pressa, o Brasil não Pode Esperar”, empresários ressaltam a carência de políticas abrangentes de apoio à indústria em geral, e não apenas a desoneração fiscal para alguns setores como veículos e eletrodomésticos da linha branca (fogões, geladeiras, máquinas de lavar e outros). Eles sugerem mudanças urgentes no sistema tributário e na legislação trabalhista, além de advertirem para a necessidade de mais investimentos em educação, em infraestrutura logística e de transportes, em inovação e na redução da burocracia. Na década de 80, a indústria brasileira chegou a ter participação de 46% na formação do PIB, soma das riquezas produzidas no país. Esse percentual caiu para 26%, em média, nos últimos anos, segundo Fonseca, tanto pela perda do poder de competitividade com os preços internacionais quanto pelo forte crescimento do setor de serviços. Queda semelhante ocorreu também na pauta de produtos exportados, de acordo com estatística do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A venda de produtos manufaturados foi, durante alguns anos, o principal vetor das exportações brasileiras, com participação recorde de 55,1% no total das vendas externas em 2005. Mas, de lá para cá, os produtos industriais perderam terreno, de modo a garantir participação de apenas 36,1% no ano passado. Com informações da Agência Brasil.

Nenhum comentário: