domingo, 9 de dezembro de 2012

ANÁLISE: Por que é preciso olhar o nível socioeconômico dos alunos quando analisamos a educação brasileira?

A partir de 2009, com a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), acompanhamos um crescente interesse da sociedade brasileira em olhar para as escolas brasileiras e mais recentemente esse interesse foi potencializado pela divulgação do rendimento das escolas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Como essas informações são ordenáveis e foram divulgadas, instintivamente a sociedade olhou para elas, mas ainda com o foco sobre os primeiros lugares. Entretanto, algumas reportagens jornalísticas produzidas pela imprensa - motivadas pela descoberta de estratégias de algumas escolas que buscavam sempre estarem entre os primeiros lugares do Enem -, trouxe para a discussão a necessidade de relativizarmos a posição das escolas. Como elementos de contraponto foram apresentados dados sobre a taxa de participação, a quantidade de alunos participantes, a existência de processos seletivos para ingresso na escola, e o nível socioeconômico (NSE) dos alunos. Para o público em geral, essa relativização é vista como uma estratégia de desqualificação do mérito dos mais bem pontuados, afinal como ponderar a colocação em relação a algum desses parâmetros? Qual o peso que esses critérios têm sob a colocação da escola? De todos eles, o nível socioeconômico, por enquanto, é aquele que trás uma das melhores oportunidades de reduzirmos nosso equívoco quando olhamos os resultados do Enem. Felizmente o Brasil tem pesquisadores que debruçaram sobre os dados colhidos em questionários aplicados aos alunos que participam do Enem e da Prova Brasil, e agora nos oferecem uma classificação das escolas brasileiras a partir do nível socioeconômico dos alunos, mais conhecido por NSE. O cruzamento do rendimento no Enem com o NSE da escola trás para a sociedade e os tomadores de decisão, a oportunidade de identificar concretamente aquelas escolas e redes de educação, que mesmo não tendo cruzado a linha de chegada entre os primeiros colocados, devido às suas próprias condições, certamente são tão ou mais campeãs. No QEdu (www.qedu.org.br) considerada a maior plataforma de informações sobre a educação básica no Brasil, a Meritt Informação Educacional e a Fundação Lemann trouxeram alguns elementos do nível socioeconômico para ponderar a proficiência apresentada pelos alunos na Prova Brasil. Eles estão presente explicitamente e implicitamente no portal. Explicitamente ele aparece na agregação das respostas dos alunos ao questionário de contexto que é respondido pelos participantes da prova. Nele há informações sobre bens materiais e serviços que a família dispõe e que são a matéria prima dos pesquisadores na construção do NSE. Implicitamente, o NSE está presente no QEdu na página de navegação da escola. Na aba “comparação” são apresentadas outras instituições de ensino com as quais ela pode se comparar porque aquelas escolas possuem alunos com nível socioeconômico semelhantes. Sendo a Prova Brasil uma Copa do Mundo, no QEdu, é possível verificar a posição de cada uma das 47.000 escolas participantes, e as condições de cada um dos países participantes: jogadores (alunos), professores e diretores (técnicos) e centros de treinamento (escolas).

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